A guerra colonial também foi uma ruptura em cada um de nós. Deixou-nos muitas interrogações. Foram-nos ensinadas muitas técnicas de combate, algumas de sobrevivência, e só raramente fomos preparados para o regresso à vida civil.
publicado por Alto Chicapa, em 10.09.09 às 22:04link do post | favorito

Uma das facetas mais curiosas é a que é dada, como no texto anterior, pela chamada literatura oral e o modo como a contam, aqueles que a sabem contar.


É geralmente ao cair da noite, junto a uma fogueira e num jango ou tchota (penso que é este o nome), que se contam as melhores histórias, muitas nunca ouvidas, sobre homens, aventuras, animais, seres… e muita, muita invenção.

 


Quando contam, acompanham toda a narração com mil gestos e trejeitos como se estivesse a acontecer algo. O contador levanta-se, deita-se, salta, grita, emita animais e muitos outros sons.


É uma autêntica representação viva que acaba por envolver todos.


Foi neste jango que ouvi, da boca dos mais idosos, mais uma lenda oral Tchokwe sobre a sua ascendência divina.

 

 

Nzambi ou Calunga (Deus), depois de ter criado o Mundo mandou Samuto (homem) e Namuto (mulher) povoar a terra com os seus descendentes.


Entregou a Samuto uma enorme cabaça e um pequeno embrulho, com a recomendação de só os abrirem quando encontrassem uma grande serra.


Desconhecendo os seus sexos, Samuto e Namuto caminharam na Terra até ao Congo, onde encontraram a tal montanha indicada por Nzambi.


Samuto, abriu a cabaça e dela saíram todos os animais que deveriam povoar a Terra. O embrulho como cheirava muito mal lançou-o fora.
 

Namuto, ao saber o que tinha acontecido ao embrulho, censurou-o e exigiu-lhe que o fosse buscar.
 

Samuto, depois de várias tentativas, sem sucesso, foi ter com Nzambi, contou-lhe o que tinha acontecido e que estava muito arrependido. Nzambi, disse-lhe que voltasse à Terra, onde tinha deixado Namuto e levasse o cão até ao local onde tinha abandonado o embrulho, e aí o soltasse.


Samuto, assim o fez. Passado pouco tempo o cão apareceu com o embrulho na boca.


Samuto, ao mostrar o embrulho a Namuto, esta manifestou-se muito contente batendo-lhe no baixo-ventre. Como este se queixou com muitas dores, Namuto examinou-o, chegando à conclusão que eram diferentes.


Acabaram por ter um filha de nome Naconde, a qual veio a unir-se com um homem chamado Cassai, vindo não sei de onde, e cujos cinco filhos e três filhas deram origem aos actuais povos da Lunda.
 

A seguir - Batuque em Samuge

 

Carlos Alberto Santos

 


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